quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O direito das ilusões e desilusões


Com toda a sinceridade de alguém que já mudou de opinião mais de uma vez sobre um mesmo tema, devo confessar que desenvolvi uma espécie de amor-ódio pelo direito. A princípio, durante o célebre ensino médio, se tratava do mais puro ódio. Ou talvez desilusão. Muito provavelmente isso ocorre porque as pessoas tendem a vincular direito ao conceito de justiça (o que a gente, a duras penas, aprende que, infelizmente, não chega nem perto). Daí você faz toda uma dissertação interna e filosófica acerca do que é a justiça, quase sempre não chega a uma conclusão ou, se chega, não entende por que razão é pura teoria. Aí você começa a culpar a natureza humana, como nossos três colegas federalistas chegaram a fazer lá nos Estados Unidos. E as suas dúvidas se acentuam mais quando alguém chega e conta alguma história infeliz, ou reitera essa sua desilusão, acrescentando seus próprios motivos. Mais adiante você tende a criticar a burocracia, a Guerra, a pobreza, o presidente, os deputados e a discussão é tão infinita que você realmente tem certeza que tudo é um monte de merda quente, no sentido figurado ou não da expressão.

E você chega a conclusão de que é muita realidade para que as pessoas se iludam crendo no universo utópico e perfeito da constituição de 1988, onde todo mundo tem casa, salário mínimo condizente com suas necessidades, direitos e deveres. Essas coisas. Daí então você, por ironia da vida, para em um curso de direito (ou então em um cursinho para prestar um concurso público por sejam lá quais forem suas razões, mas as chances de afinidade são menores) e lá acaba percebendo que a coisa toda é bem mais legal do que parecia ao ponto de você desenvolver um carinho por ela. Isso quando você não desiste por razões externas, como falta de amor às ciências humanas, ou crença na imortalidade da sua desilusão.

Em todo caso, tudo é muito bonitinho a princípio, com todas aquelas matérias teóricas ideais, mas, lá dentro, você sabe que a realidade uma hora ou outra há de bater na sua porta. Então, alguns se desiludem de cara, outros não. Daí, em algum momento, a partir de fatos diretamente relacionados a você, ou repassados por terceiros, você percebe que pelo menos oitenta por cento dos magistrados, entre conhecidos e desconhecidos, de primeira instância ou não, mais atrapalham do que ajudam e fazem jus àquela sua primeira opinião acerca da justiça como um todo. É quando você fatalmente percebe que boa parte dos seus colegas de classe vai, muito provavelmente, se tornar daqueles juízes que fazem questão de serem chamados de doutor, autossuficientes o bastante para, citando professores, acreditar mesmo que constituem versão de Deus na Terra. De toda forma, eis mais uma desilusão pra sua coleção. Talvez aquele estudante apaixonado por direito seja um sujeito corajoso, pois não é fácil lidar com tantas desilusões pelo caminho, não é?

Mas então, fazendo referência a um filme muito traumatizante, mas com aquelas típicas sacadas inteligentes: apesar de ser tudo merda, merda e mais merda; existe um simples momento que faz com que tudo pareça valer à pena. Talvez seja uma ironia da vida que as exceções causem a motivação, mas em todo o caso é o que normalmente acontece nessas situações. E a que eu vou citar a seguir creio que todo estudante de direito tenha (ou virá a) presenciar, muito provavelmente por ser uma exceção onde prevalece o bom senso em relação à forma pura e indiscriminadamente aplicada da lei (me referindo principalmente ao âmbito penal da situação, pelo menos nesse caso). Talvez alguns não entendam, não concordem, outros demorem a entender e outros não parem de assentir em concordância, à medida que lêem a decisão. Depende da pessoa. Mas talvez ela seja um bom exemplo de alguém que, pelo menos nesse momento singular, foi muito feliz quando não se perdeu entre o universo da ilusão teórica e a desilusão da realidade. Não vou me ater a discussões sobre se deveria haver fundamentação na argumentação do sujeito, pois acredito que em certos momentos não há necessidade de fundamentação para justificar um ato de bom senso. É como ele diz: Quem quiser que escolha o motivo.

A Escola Nacional de Magistratura incluiu, na sexta-feira (30/6), em seu banco de sentenças, o despacho pouco comum do juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas, em Tocantins. A entidade considerou de bom senso a decisão de seu associado, mandando soltar Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, detidos sob acusação de
furtarem duas melancias:

Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.

Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados e dos políticos do mensalão deste governo, que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional)...

Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém. Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo como mínimo necessário apesar da promessa deste presidente que muito fala, nada sabe e pouco faz.

Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia. Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra - e aí, cadê a Justiça nesse mundo?

Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade. Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir. Simplesmente mandarei soltar os indiciados. Quem quiser que escolha o motivo. Expeçam-se os alvarás. Intimem-se.

Rafael Gonçalves de Paula
Juiz de Direito
Palmas, Estado do Tocantins

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sobre Política, guerra e outras desgraças.


Jornais de todo o mundo anunciam o vazamento de documentos (não mais) sigilosos referentes à Guerra do Afeganistão, onde é revelado ao mundo uma espécie de diário das ações do exército norte-americano no referido país e cercanias. Contando com cerca de quinze mil documentos que, segundo o próprio WikiLeaks, “Descrevem , principalmente ações militares letais envolvendo o exército dos Estados Unidos, também incluem informações da Inteligência, relatórios de encontros com figuras políticas e detalhes relacionados.” (tradução própria). Essa revelação é mais um golpe na credibilidade do país mais poderoso do mundo e sem dúvidas choverão críticas ao governo, ao exército e a qualquer envolvido em ações moralmente condenatórias, como por exemplo, execução deliberada de civis. Entretanto, existe algo a ser considerado e isto é o confronto entre exército norte-americano e militantes do regime Talibã. Quando falamos de Afeganistão, Paquistão e redondezas, falamos invariavelmente de Regime Talibã, que sai milagrosamente ileso da chuva de críticas dos oposicionistas ao tido ‘imperialismo norte-americano’. Mas no que consiste, afinal, o regime Talibã, e por que eu resolvi ressaltá-lo e atacá-lo, em vez de construir críticas às ações militares, é o que explicarei a seguir.

O regime Talibã é um movimento político-militar que tem sua origem dentro da etnia afegã Pashtum, no momento da ocupação soviética no Afeganistão, que teve início no ano de 1979. Inicialmente financiados pelos Estados Unidos, o movimento buscava libertar o país e fortalecer o islamismo na região (interpretado segundo seus princípios). No entanto, acabou se tornando uma faca de dois gumes. O movimento rapidamente ganhou influência política e dominou a vida social dos locais onde mantinha o controle. Não vou me estender mais na origem e nos primeiros anos de vida do movimento, pois meu objetivo é descrever a maneira com a qual seus líderes ‘governam’ suas áreas de influência. Eternizado nos romances “O caçador e Pipas” e “A Cidade do Sol”, ambos do escritor afegão naturalizado americano Khaled Housseini, o movimento Talibã mostra-se controlador e extremista até no que condiz às regras sociais. Nos romances citados, podemos observar a influência da transformação ocorrida nas localidades sob o controle do regime e a influência dele na vida das personagens, o que está longe de ser mero romance. O regime talibã possui grande crédito no que concerne uma visão equivocada do islamismo por parte do ocidente (vejam bem, grande crédito, porém não todo). A ascensão do regime Talibã representou um período de concessões no que concerne à recepção de informações externas e à liberdade, como um todo. As mulheres, que não tinham tão poucos direitos como se acredita, foram absolutamente submissas à vontade do seu marido, pai ou qualquer outro homem, perdendo o direito de poder estudar, sair na rua, vestir-se e etc. A Burqa, o traje mais radical, predominou e desbancou qualquer outro traje típico islâmico. Publicamente, predomina uma espécie e Apartheid de gênero. Não me prolongarei acerca dos direitos femininos antes e depois do regime talibã, pois se trata de um assunto que surge muito antes de Maomé, ainda com as esparsas tribos que viviam nos territórios do Oriente Médio. O regime talibã é autocrata e teocrata. Impõe uma espécie de ditadura apoiada no que pode ser interpretado de mais radical Corão, o livro sagrado do Islamismo e, assim como o exército americano já mencionado, mata deliberadamente. Na realidade, é consideravelmente pior. No que tange à balança de equilíbrio entre o que houve de positivo com o regime e os danos por ele causados, o saldo é negativo. O intenso controle sobre a comercialização do Ópio não consegue suprimir os assassinatos deliberados de mulheres, homens e crianças que saíram das regras impostas pelo regime.

A mensagem que pretendo repassar nesse ínfimo resumo não é de tentativa de inocentar o exército norte-americano, nem os líderes políticos envolvidos. É, de certa forma, um balanço de ideias. A demonização do regime não inocenta o exército por suas atrocidades e há muito mais a se considerar, tanto, que transformaria esse post em um artigo. Mas é verdade que poucos foram os esforços governamentais que conseguiram reduzir o poder político Talibã e, por mais politicamente incorretos que os movimentos norte-americanos sejam, eles obtiveram um resultado pequeno, mas considerável. Devemos levar em conta nessa discursão, também, o mal maior da humanidade, a corrupção. Sabemos que exército não governa. Exército batalha, desde que era formado por meros mercenários. E os soldados são treinados para matar. O que governa, impõe regras e limites é o governo, e eu não creio que nem Bush, nem Obama possam fazer isso pelos locais.

PS: Qualquer informação equivocada, avisem. Desconsiderem erros de digitação.
PS²: A Imagem acima mostra a execução de uma 'criminosa' do regime Talibã, obtida no Google.




sábado, 10 de abril de 2010

Como escrever uma história água de salsicha em alguns passos simples

A história água de salsicha tem por finalidade treinar a escrita e, de quebra, entreter algum ávido por leituras alternativas que costuma passar horas a fio em frente ao computador em busca dessas umas. Pois bem, em alguns passos simples que eu mesma criei (lembrem-se de valorizar a criatividade, mesmo que não seja essa coca-cola toda), vou sistematizar o processo de criação de um pequeno texto preenchedor de tempos não aproveitados. Em primeiro lugar, e obviamente, escolha o enredo. É muito importante saber se a história consistirá em um drama em pleno sertão nordestino, ou em uma crítica implícita e imatura sobre a indiferença da classe média brasileira. A dica que eu dou é sempre envolver questões não muito polêmicas, mas ao mesmo tempo, que consigam trazer à tona alguma reflexão, mesmo que uma reflexão de cinco segundos que provavelmente nem será lembrada no dia seguinte. Em segundo lugar, escolha o personagem. Levando em conta que o texto não deve se prolongar demais, tente compactar as complexidades de sua preferência em falas do dito ou implicitamente nas relações que ele poderá desenvolver com algum coadjuvante. Dê um nome bem simples, mas que seja capaz de ficar na cabeça (e, por favor, algo mais original que Maria e João). Nomes cômicos, ou conhecidos como nomes de pessoas que creem que abalam na criatividade, como Wandiscleison ou Wandiswashington trazem uma ideia de comédia um pouco forçada, então, a não ser que você busque isso, evite-os. Optar por não mencionar nomes é uma boa alternativa se você buscar estender o âmbito de sua abordagem para uma generalidade, ou restringi-lo a um anonimato cujo contexto não exige denominação. Às vezes, um personagem que se chama ‘avô’ chega a ser mais interessante que um Pedro da vida. O passo complementar ao segundo é decidir se haverá ou não personagens coadjuvantes e qual a importância deles na história, ou na lição que você tenta repassar. O desenrolar da história fica a cabo da imaginação de cada um, mas um conselho que dou é que sempre se busque utilizar algumas sacadas simples que causem reflexão na pessoa. E lembre-se que uma boa história água de salsicha depende da articulação entre o meio e o fim, este devendo ser uma síntese, ou repetição da ideia que você tentou repassar ao longo do texto. Agora, texto água de salsicha não é sinônimo de texto violador dos direitos da língua portuguesa, então, por mais que você precise adequar o vocabulário do seu protagonista ao seu contexto social/histórico/geográfico, lembre-se que existe uma sutil diferença entre o ‘pra mor de nóis sair hoje à noite, uai’ e o ‘José Francisco era um omem incrivelmente belo e intelijente’ (exemplos bruscos, mas necessários para fixar a ideia). Ah, e um passo importante é escolher o a forma narrativa. Um narrador observador normalmente dispensa erros ortográficos e adequações lingüísticas, a não ser que ele seja, por exemplo, cunhado do tio do primo da vizinha do protagonista. Se o narrador é personagem, não se esqueça de adequar a linguagem dele para o contexto no qual ele se encontra. E um detalhe importante: não se esqueça do título. O título está para o texto água de salsicha, assim como a capa de um livro para esse livro, ou seja: é essencial (sejamos sinceros: 80% das pessoas julgam um livro pela capa). Como se pode observar, esse texto É água de salsicha, mas nem por isso é totalmente inútil. Se você leu, isso está comprovado. Se ele foi mesmo de utilidade, ou não, não sei, mas se algum anônimo se sentir à vontade para acrescentar ou contestar esses passos mencionados, que se sinta à vontade, afinal, esse blog é parcialmente democrático.

Por Luísa.

terça-feira, 9 de março de 2010

O Doutor e o Analfabeto

Faz tempo mesmo que eu não penso em nada pra escrever aqui. Minto. Pensar eu penso, o problema é transferir as ideias para o computador. Outro dia, pensando exatamente no que postar, lembrei de um texto que devo ter lido por volta do meu ensino médio, texto esse que me marcou muito. Não em um sentido propriamente emocionante da palavra, ou moralmente positivo, mas naquilo que a gente lê e simplesmente nunca mais esquece, como um trabalho que fiz na minha primeira série, trabalho esse que consistia em encontrar um erro de português em uma placa qualquer na rua. Tanto marcou esse trabalho que até hoje eu procuro os tais erros. De qualquer forma, procurei pelo texto marcante na internet e, ora vejam, encontrei. Então, se alguém ainda não leu, eis que vai uma boa oportunidade. Espero que gostem dele tanto quando eu gosto.


Foi num rio qualquer do Estado do Pará, Amazónia, Brasil. Pode ter sido no Guamá, no Tapajós, no Moju, no Acará, no Araguaia, no Tocantins, no Xingu, no Trombetas, no próprio Amazonas… É… pode ter sido em qualquer um, não faz diferença. O que conta é a história em si.

Era um doutor, destes metidos a sebo, que, por ser doutor, pensa que tem o rei na barriga e gosta de pisar nos mais humildes.

Esta na margem de um rio paraense, desejando passar para a outra margem.

Acercou-se de um caboclo e falou:

- Caboclo, eu quero passar para a outra margem. Qual é a tua canoa?

Nem ao menos perguntou se o caboclo podia ou não atravessá-lo.

Falou imperativamente e o pobre caboclo indicou, com um trejeito na boca, a direcção onde estava sua montaria, onde o doutor embarcou.

A bem da verdade, não sei se o doutor era de curar, de leis ou de construir. Sei apenas que era um doutor metido a besta e que gostava de humilhar os outros.

Mal a pequena embarcação desatracou, começou a espicaçar o pobre caboclo.

Ele, o doutor, sabia muito bem que o caboclo não tinha instrução.

Mesmo assim, falou:

- Caboclo, tu és formado em quê?

- Como então, dotô? Formado? O que é isso?

- Que Faculdade tu cursaste?

- Ora, mas, dotô! Eu não cursei em Faculdade nenhuma. Mas, ora…

- Então, perdeste dez anos da tua vida. Mas fizeste o segundo grau, não?...

- Mas, quê, doto. Não fiz não, isso não tem prós meus lados…

- Perdeste mais dez anos de tua vida. Pelo menos cursaste o primeiro grau?

- Não, seu dotô. Mas quando, então?

- Perdeste mais dez anos de tua vida…

O caboclo fez as contas – isto ele sabia fazer – e viu que tinha perdido trinta anos da vida dele…

Olhava o doutor com admiração, mas ao mesmo tempo já chateado de tanto estar perdendo anos de sua vida por não ter estudado…

E o doutor, implacável, fez ainda mais uma pergunta:

- Mas, caboclo, pelo menos tu sabes ler e escrever?

- Sei, não, dotô. Eu sou analfabeto de pai e mãe…

- Pois perdeste mais dez anos de tua vida…

Já eram quarenta anos que o caboclo perdia…

Estavam bem no meio do rio.

Nesse momento, a canoa começou a fazer água rapidamente e mais rapidamente a se afundar.

Aí, o caboclo apenas teve tempo para perguntar ao doutor:

- Dotô, o senhor sabe nadar?

- Não… não… disse o doutor apavorado…

- Pois então, dotô, o senhor perdeu a sua vida toda… !

O caboclo saiu nadando em direcção à margem, enquanto o doutor morria afogado, com toda a sua sabedoria…

Vale, Fernando e Monteiro, Walcyr, Histórias Portuguesas e Brasileiras para as Crianças, Instituto Piaget, pág. 97 - 102.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Um conselho para um anônimo.

“Ele com certeza não disse por mal. Na verdade, acho que ele nem percebeu que disse aquilo e a última coisa que ele quis foi fazê-la ficar com ciúmes daquele rapaz que há algum tempo já faz parte do preto-e-branco da vida. Ou deveria. Mas eu acho que não deverias te prender ao que aconteceu. Quero dizer, já terminou faz muito tempo e tu ainda ages como se vocês estivessem juntos. Eu sei que tu podes amá-lo ainda, mas... É recíproco? Vale a pena sofrer por causa disso? Ele já vive a vida dele e não parece abalado por comentários que fazem sobre os teus possíveis outros. E tu, ficas presa a esse sentimento que já te fez bem, mas hoje em dia só te traz melancolia e certa raiva. Brigas com os amigos por quaisquer deslizes. Odeias pessoas que não tem relação alguma com o que aconteceu, talvez até perdendo a chance de formar novas amizades. E eu me pergunto pra que tanto rancor. Sabe, a vida é curta demais, bonita demais, para desperdiçares com arrependimentos, lamentações ou sentimentos presos ao que passou. E até onde vale a pena sofrer por alguém que pode ser caracterizado como parte do passado? Por que não tentar esquecer, ou pelo menos aceitar? O amor é um dos melhores, mas também piores sentimentos, porque ele precisa de tempo para se despedir definitivamente. Mas, se acabou, o melhor a fazer é deixá-lo seguir o seu curso. O amor é cíclico, logo ele volta e ele sempre volta melhor, mais aperfeiçoado que antes. Dói, dói sim. Mas fugir da dor é algo que duraria a eternidade para terminar. Fortes não são aqueles que não sentem dor ou que aceitam a dor e ficam a se lamentar no ombro alheio. Fortes são aqueles que não sucumbem perante as armadilhas que ela arma e que buscam vencer a dor. Portanto, é minha opinião, e penso que não é de se desperdiçar, que deves, não passar uma borracha no passado, mas aplicar um efeito blur, ou borrado, se traduzido, e seguires em frente. Um dia, vocês hão de se encontrar na rua e o que acontecerá será um reflexo das tuas atuais atitudes. Quanto a ele, bom, só o tempo dirá se saberá reconhecer o que realmente é ou foi bom para ele. Tu só terás que me prometer uma coisa. Sabe o quê? Vive a tua vida.”

Tem algumas pessoas em especial que eu queria dedicar esse conselho, mas eu não posso mencionar nomes, nem nada. Então fica assim mesmo. Mas eu queria dedicá-lo também a todo mundo que sofre ou sofreu por causa do passado, qualquer que seja ele, a curto ou a longo prazo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Aguçando a curiosidade

Se alguém tiver paciência de esperar até o final pra ver o resultado, façam o seguinte desafio:

1 - Primeiramente apenas ouça o áudio, até mais ou menos 1:42 m (o cronômetro tá aí pra isso)

2 - Especule sobre o que possa ser a história do vídeo (o cenário, os personagens), baseado apenas no áudio (sem assisti-lo). Se preferir, anote tudo em uma folha de papel.

3 - Depois de especulado, assista até mais ou menos 1:05

4 - Torne a pausar e pense no que pode acontecer depois disso. Faça a mesma coisa indicada no 2.

5 - Assista o vídeo inteiro.

Se você foi paciente e tudo mais pra fazer o que foi dito, sinta-se à vontade para deixar seus comentários aqui. Se não foi, apressou-se para ver o que acontecia no final, bom... Deixe os comentários aqui também! :D



domingo, 6 de dezembro de 2009

O amor é cego


Estavam proseando um avô e um neto. Eis que o avô, com toda a sabedoria da idade, afirma:

- Todos os apaixonados são cegos.

O neto bem entendeu a metáfora e respondeu:

- Eu sei. Eu é que nunca vou me apaixonar.

- Por quê?

- Porque os apaixonados são tolos. Eles não percebem as coisas ao seu redor.

O avô deu uma risadinha.

- Ora, mas se apaixonar é bom.

- Mas, vô, o senhor acabou de dizer que todos os apaixonados são cegos. Pra que eu vou querer me apaixonar então?

- Diga, meu neto, você sabe o que é felicidade?

O neto tinha aquilo na ponta da língua. Sabia muito bem que tinha, afinal, se considerava feliz. Mas, estranhamente, não conseguiu responder à pergunta do avô. O avô notou a ausência de uma resposta por parte daquele garoto e então concluiu:

- Você não sabe isso porque você ainda não virou um cego.

E cá entre nós, a cegueira não se limita apenas à mulher amada.