- Você poderia me dar um copo d’água? – Pediu o moço de quarenta e tantos anos. Parecia um tanto esgotado e maltrapilho, chegando até a lembrar um indigente. Indigente? E se fosse um? E se fosse um drogado, tratando de se aproveitar de um mínimo momento de distração capaz de fazê-lo então poder adentrar a casa e roubar algo?
O garoto sobressaltou-se quando aquela mão coberta de sujeita tocou-lhe o braço. Ainda mantinha a mochila prensada contra o peito, a primeira reação que teve ao ser abordado por aquele senhor suspeito. Ora, quem em sã consciência dos males modernos, não temeria por sua segurança, se abordado por um estranho na porta de casa? Ainda mais correndo o risco de ter a mochila com o iPod, iTouch, e outras iCoisas da vida, correndo sério risco de serem brutalmente afanados? E se ele, por acaso, ousasse correr, aquele senhor sacaria uma arma e atiraria a sangue frio, como a tevê mostra os traficantes do Rio fazerem? Não, não podia acontecer. Ainda achava-se ridiculamente novo para encontrar papai do céu. Finalmente, o pobre e assustado menino reuniu forças para falar.
- Não! Vá embora daqui!
Secas e brutais palavras, sim. Nada de intimidade com estranhos.
O senhor recuou alguns passos, assustado. Engoliu seco e deu meia volta. É, talvez tivesse de buscar um copo de água em outro lugar. E quanto ao menino, ele suspirou aliviado por ter se livrado do suposto farsante. Mal podia esperar para contar aos amigos o perigo iminente ao qual se expôs e a coragem oculta que descobriu possuir.
A tal coragem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário